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Boom de cervejas artesanais chama atenção dos gigantes do setor

Profissionais destacam que mesmo com 1% de fatia do mercado, microcervejarias têm potencial de crescimento que atrai companhias multinacionais

Leonardo Horn, mestre cervejeiro da Ambev, comenta incorporação de microcervejarias pela companhia (Foto: Rodrigo Ferrão)

O ‘boom’ no mercado da cerveja artesanal chamou a atenção dos gigantes do setor. A incorporação de microcervejarias a grandes companhias mostra que o 1% da fatia do mercado que elas representam está em pleno crescimento e que as grandes não querem ficar de fora dessa onda.

“Nos Estados Unidos, a indústria cervejeira ‘mainstream’ demorou para acordar e as pequenas cresceram e hoje representam 15% do mercado. Por aqui, as grandes já estão percebendo esse movimento e indo atrás das pequenas porque o crescimento delas estagnou há dois anos, mas as pequenas continuam crescendo”, destaca Samuel Mendonça, presidente do Polo Cervejeiro da RMC.

Mendonça destaca que, de cinco anos para cá, o mercado brasileiro das cervejas artesanais aqueceu.


“Em alguns estados esse movimento é muito forte, como no Sul do país.

O brasileiro está aprendendo a beber cerveja artesanal e seu paladar está mudando”, reforça.


Principal grupo cervejeiro do mundo, a Ambev comprou, há dois anos, a Colorado, de Ribeirão Preto (SP), e a Wäls, de Belo Horizonte (MG). Movimento semelhante fez sua principal concorrente, a Heineken, que anunciou, no começo deste ano, a aquisição da Brasil Kirin, que tem a Baden Baden e a Eisenbahn em seu portfólio.

Para Leonardo Horn, mestre cervejeiro da Ambev em Jaguariúna (SP), ter essas marcas aumenta a oportunidade da empresa conversar com públicos diferentes. “Somos ávidos por inovação. Cada uma das marcas tem um sabor marcante e tem um público específico com quem quer conversar”, explica.

Samuel Mendonça, presidente do Polo Cervejeiro da RMC, destaca crescimento constante das microcervejarias (Foto: Guillermo White – Food Studio Brasil )

Para a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, porém, essas marcas deixaram de ser artesanais a partir do momento em que entraram para uma empresa grande, já que em seu estatuto a definição de microcervejaria brasileira é “empresa com sede no Brasil, de capital predominantemente nacional (mais de 50%)”.


“Nos Estados Unidos algumas cervejarias artesanais já tem o potencial de grandes cervejarias como a Sierra Nevada, mas não perderam sua proposta de artesanal”, argumenta Ladir Almada Neto, diretor de marketing da Cervejaria Campinas.


Na opinião de Horn, a chegada da Colorado e da Wäls ao portfólio da Ambev trouxe mais desafios para a equipe de mestres cervejeiros da casa, que chega a 100 profissionais.

“A gente tem a mesma preocupação com a procedência e qualidade dos ingredientes, mas com chance de usar mais a criatividade e mais liberdade. Ao longo do tempo as pessoas estão mais interessadas em experimentar coisas novas e diferentes. Isso faz parte do avanço cultural. Com essas nova marcas podemos trazer essas novidades. Trocamos muitas ideias com os mestres cervejeiros dessas marcas para criarmos sempre coisas novas e interessantes”, afirma.

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