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Bares que vendem cervejas de fabricação própria pipocam em São Paulo

Há pouco tempo, São Paulo foi invadida por bares focados em cervejas artesanais. Na época, a briga era para ver quem oferecia o maior número de torneiras de chope –e, consequentemente, a maior variedade de marcas e tipos.

Agora, com bebedores mais experientes e exigentes, pipocam na cena cervejeira da cidade bares que não têm medo de vender apenas a própria cerveja. São casas que inauguraram sob a batuta de grifes já conhecidas –como a Goose Island Brewhouse, filial da fabricante americana no largo da Batata, e a Colorado. E outras que abriram bares para tentar emplacar a própria marca no mercado paulistano e fidelizar os fãs de chope daqui –como a recém-inaugurada Cervejaria do Gordo, no Itaim, que já era reconhecida em Lorena (SP).

“Existe um mercado latente em São Paulo”, diz o gerente de marketing de Goose, Pedro Bertho. Tanto é que, mesmo cervejarias pequenas, caso da Avós, que nasceu no bairro da Vila Ipojuca, começaram a crescer e a demandar espaço. “A sede era a minha casa. Mas, com todos os equipamentos lá, minha mulher me deu uma intimada [para desocupar o local]”, ri Junior Bottura, proprietário da Casa Avós.

O fenômeno só faz crescer. Dos oito bares que fabricam ou vendem só cervejas da própria marca reunidos pelo “Guia”, cinco abriram nos últimos seis meses. Outro, o bar da cervejaria Dogma, vai abrir as portas em julho na região central. As casas estão divididas entre as novíssimas, as “brewhouses” e as que não servem comida, mas apostam no delivery.

Também listamos cinco bares que, além de vender a própria bebida, representam outras cervejarias. Escolha seu rótulo preferido e bom chope!

GLOSSÁRIO

Growler: Garrafão de vidro ou cerâmica, retornável, para levar o chope para casa

Crowler: Latão descartável, menor que o growler, para levar

Brewhouse: Bar que também é fábrica da cerveja

Tipos de chope: O chope lager ou pilsen é mais claro e leve; o wiesen, de trigo, mais encorpado; e os APA e IPA são mais lupulados, sendo assim mais amargos

Novidades

CERVEJARIA DO GORDO
Sede da cervejaria: Lorena (SP)
Quando o bar foi inaugurado: março de 2017
Rótulos mais vendidos: lager, IPA e APA 
A cervejaria nasceu em 1997, como um barzinho discreto em Lorena (SP), a 198 km da capital. Cresceu e se mudou para um local maior, hoje uma das casas de shows mais conhecidas daquela região.
Dez anos depois, começou a fabricar a própria cerveja. Mas foi só em março deste ano que a marca abriu sua primeira filial.
O bar paulistano fica num espaço amplo, na região do Itaim, e serve os rótulos próprios, que continuam sendo fabricados em Lorena –seis frescos, nas chopeiras, e oito envasados. Para acompanhar, há petiscos e carnes grelhadas.
O próximo passo, de acordo com o sócio Cássio Fonseca, é distribuir a cerveja nos mercados paulistanos. “Viemos para posicionar a marca.”
R. Clodomiro Amazonas, 863, Vila Nova Conceição, região sul, tel. 2384-2862. Seg. a sex.: 17h à 1h. Sáb.: 12h à 1h. Saiba mais.

Tonéis de chope da Cervejaria do Gordo *** ****
Tonéis de chope da Cervejaria do Gordo – Thays Bittar/Folhapress

BAR DA AVAREZA
Sede da cervejaria: Cotia (SP)
Quando o bar foi inaugurado: abril de 2017
Rótulos mais vendidos: imperial IPA e stout
Recém-inaugurado na rua Augusta, o bar é o QG da Mea Culpa, de Cotia (a 31 km da capital), que produz cervejas desde 2015.
O local trabalha com uma espécie de “self-service” de chope: o cliente utiliza um cartão pré-pago para tirar a bebida, e o equipamento cobra por ml (a Ira, uma imperial IPA, custa R$ 3,60 cada 100 ml). Ao todo, são 12 torneiras com os sete rótulos da marca, que levam o nome dos pecados capitais (a Avareza é uma lager).
“A ideia é que a pessoa tenha autonomia para experimentar o quanto quiser”, diz Vitor Lucas, sócio da Mea Culpa. Mas vale ressaltar: quem não tem prática pode acabar errando o colarinho.
Para comer, há hambúrgueres e máquinas com snacks e pipoca.
R. Augusta, 591, Consolação, região central, tel. 3969-0203. Qua. a sáb.: a partir das 19h. Dom.: a partir das 18h. Saiba mais.

Brewhouses

GOOSE ISLAND
Sede da cervejaria:
Chicago (EUA)
Quando o bar foi inaugurado: dezembro de 2016
Rótulo mais vendido: IPA
Desde 2015, a Goose Island está presente em bares e mercados do Brasil. Mas foi no fim do ano passado que a cultuada cervejaria americana abriu sua primeira fábrica-bar em São Paulo (a única na América Latina).
“São Paulo, assim como Chicago, é uma cidade cosmopolita, urbana e supercultural. Escolhemos o largo da Batata pois é um espaço que está sendo revitalizado”, diz o gerente de marketing da marca no país, Pedro Bertho.
Sempre lotada com os fãs da marca, a casa, que conta com um rooftop com vista para o largo, tem 15 rótulos de chopes, dos quais oito são produzidos no local. Eventualmente, lança cervejas com ingredientes nacionais, como uma edição do Dia da Mulher, que levou goiabada.
O menu de comes é variado: tem porções, pratos (como o nhoque de mandioquinha com creme de queijo; R$ 39) e hambúrgueres (prove o Duck Burger, com carne de pato; R$ 36).
R. Baltazar Carrasco, 191, Pinheiros, região oeste, tel. 2886-9858. 150 lugares. Ter. a sex.: 18h à 1h. Sáb.: 12h à 1h. Dom.: 12h às 22h. Saiba mais.

Torneiras da Goose Island ***  ****
Torneiras da Goose Island, em Pinheiros – Matheus Bonafé/Divulgação

LES 3 BRASSEURS 
Sede da cervejaria: Lille (França)
Quando o bar foi inaugurado: novembro de 2013
Rótulo mais vendido: blonde
Inaugurada em 2013, casa é a filial da microcervejaria francesa criada em 1986, e conta com 60 choperias pelo mundo.
Os tanques de maturação, expostos logo na entrada, já indicam que é ali mesmo que são produzidos os seis rótulos da marca –a blonde (R$ 17, copo com 500 ml), leve e de sabor frutado, é a cerveja mais pedida.
O menu é outro atrativo do bar-restaurante. Além de pratos franceses, as flammes, que lembram pizzas de massa fininha, são as estrelas da casa, ao lado do fettuccine, preparado dentro de uma roda de parmesão com azeite trufado e molho de cogumelos.
Ícones de copinhos espalhados pelo cardápio sugerem harmonizações com as cervejas.
R. Jesuíno Arruda, 470, Itaim Bibi, região sul, tel. 3167-4145. 250 lugares. Seg. a qua. e dom.: 12h às 24h. Qui.: 12h à 1h. Sex. e sáb.: 12h às 2h. Saiba mais. 

Filial da microcervejaria francesa Les 3 Brasseurs, no Itaim Bibi *** ****
Filial da microcervejaria francesa Les 3 Brasseurs, no Itaim Bibi – Adilson Silva/Divulgação

CERVEJARIA NACIONAL 
Sede da cervejaria: São Paulo (SP)
Quando o bar foi inaugurado: maio de 2011
Rótulo mais vendido: IPA
Pioneira entre as cervejarias com casa própria, a Nacional abriu em 2011 sua fábrica-bar em Pinheiros. Na entrada, dá para ver os enormes tanques de produção: por mês, são feitos quase 12 mil litros de cerveja, entre os rótulos próprios e receitas colaborativas.
Na dúvida sobre qual chope tomar? A dica é pedir a régua de degustação (R$ 37), que reúne as cinco opções produzidas ali em copos de 130 ml. Acompanhe com a porção de queijo de coalho com melado de cerveja (R$ 27).
Nesta sexta (2), para comemorar seus seis anos, a casa oferece a sazonal Dubbalacobaco (R$ 21, 330 ml), uma cerveja de estilo belga com adição de figo turco curtido no rum.
Av. Pedroso de Morais, 604, Pinheiros, região oeste, tel. 4305-9368. 250 lugares. Ter. a qui.: 17h às 24h. Sex. e sáb.: 12h às 24h. Dom.: 12h às 18h.Saiba mais. 

Chopes da Cervejaria Nacional, em Pinheiros *** ****
Chopes de degustação da Cervejaria Nacional, em Pinheiros – Antônio Rodrigues/Divulgação

KARAVELLE  
Sede da cervejaria: Indaiatuba (SP)
Quando o bar foi inaugurado: outubro de 2013
Rótulos mais vendidos: pilsen e wiesen
Como uma boa “brewhouse”, a casa exibe os grandes tonéis de produção atrás do balcão. Mas a marca tem, também, uma fábrica em Indaiatuba, a 98 km da capital –é de lá que vem o chope pilsen, que tem demanda maior. “Por uma questão de espaço, produzimos no bar só as cervejas mais especiais”, diz a gerente de marketing da cervejaria, Tabata Vieira.
Ao todo, são oito rótulos, dos mais leves aos mais lupulados, como a IPA (R$ 13,90, copo de 300 ml).
Para petiscar, a sugestão é pedir os dadinhos de tapioca (R$ 29) ou a porção de coxinhas (R$ 28). O bar também tem uma filial no Itaim, mas sem fábrica.
Al. Lorena, 1.784, Jardim Paulista, região oeste, tel. 3044-7555. 250 lugares. Ter. a sex.: 17h às 24h. Sáb.: 12h à 1h. Dom.: 16h às 23h. Saiba mais. 

Ambiente da cervejaria Karavelle *** ****
Ambiente da cervejaria Karavelle – Raphael Criscuolo/Divulgação

Sem cozinha, com delivery

BAR DO URSO 
Sede da cervejaria: Ribeirão Preto (SP)
Quando o bar foi inaugurado: fevereiro de 2017
Rótulo mais vendido: Appia
O urso que estampa os rótulos da cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto (313 km da capital), também dá nome ao primeiro bar da marca na capital, aberto em Pinheiros.
O local conta com seis torneiras de chope que alternam rótulos Colorado, como Cauim, Appia, Indica e Demoiselle (os preços variam entre R$ 10 e R$ 12, para o copo de 350 ml).
Seguindo um modelo tradicional em cervejarias americanas, o bar não tem cozinha própria, mas estimula os clientes a pedirem delivery –repare nos folders de restaurantes da região na parede.
A casa inaugurou recentemente sua segunda unidade paulistana, desta vez na zona leste: fica na rua Itapura, 826, no Tatuapé.
R. Mourato Coelho, 23, Pinheiros, região oeste, tel. 3562-7010. 45 lugares. Ter. a sex.: 17h à 1h. Sáb.: 15h à 1h. Dom.: 15h às 21h. Saiba mais.

O Bar do Urso, em Pinheiros *** ****
O Bar do Urso, em Pinheiros – Rene Júnior/Divulgação

CASA AVÓS 
Sede da cervejaria: São Paulo (SP)
Quando o bar foi inaugurado: dezembro de 2016
Rótulo mais vendido: hoppy lager
O nome da cervejaria paulistana Avós é uma óbvia homenagem às avós do fundador, Junior Bottura. “Convivi com as minhas duas avós e bisavós. Sempre tive uma ligação muito forte com elas”, diz.
A cervejaria paulistana, que nasceu há dois anos e meio na casa de Bottura, começou a crescer. Se espalhou pelo lar e, no fim do ano passado, precisou de um local próprio.
Sem cozinha, a casa incentiva que os clientes peçam delivery e sugere os enroladinhos recheados da pizzaria vizinha, Vituccio.
Além dos quatro rótulos fixos, o bar oferece sempre um chope sazonal. A partir de junho, a produção será feita na fábrica da Dádiva, em Várzea Paulista (54 km da capital), de onde também sai a Dogma.
R. Croata, 679, Vila Ipojuca, região oeste, tel. 3672-4282. 20 lugares. Ter. a sex.: 17h30 às 21h30. Sáb.: 12h às 18h. Saiba mais. 

Entrada da cervejaria Casa Avós *** ****
Ambiente da cervejaria Casa Avós – Gui Gomes/Divulgação

Rótulos próprios e mais

BREWDOG
Aberto em 2014, o bar é a primeira unidade fora da Europa da cervejaria escocesa BrewDog e tem 23 torneiras de chope. Os rótulos variam entre nacionais e importados, mas os da casa estão sempre engatados: BrewDog pilsen, IPA, pale ale e red ale. O balcão conta com uma torneira com infusor em que é possível adicionar frutas, ervas e lúpulos ao chope para garantir sabores e aromas novos. Há também cerca de 150 cervejas em garrafa, entre rótulos próprios e de convidados.
R. dos Coropés, 41, Pinheiros, região oeste, tel. 3032-4007. 120 lugares. Seg. a qua.: 18h às 24h. Qui.: 18h à 1h. Sex.: 12h às 15h30 e 18h às 2h. Sáb.: 14h às 2h. Dom.: 15h às 23h. CC: V, M, AE, E, D. Valet a partir de R$ 25. Chopes variados – 284 ml: R$ 12 a R$ 36. Saiba mais. 

CÂMARA FRIA
O bar da Cia. Tradicional do Comércio, também dona do Original e da pizzaria Bráz, é o único em São Paulo a oferecer o chope da premiada cervejaria mineira Wäls. Outras cervejas são vendidas só em garrafas –ao todo, são 25 rótulos, entre nacionais e importados. Para comer, serve pizzas individuais com a massa da Bráz, vizinha, oferece as coxinhas do Original e algumas tábuas de frios.
R. Graúna, 137, Moema, região sul, tel. 5093-9486. 40 lugares. Ter. e qua.: 18h às 2h. Qui. a sáb.: 18h às 3h. CC: V, M, AE, E, D. Valet R$ 25. Chope Wälls Witte – 250 ml: R$ 12. Saiba mais.

para comer - cervejaria
Torneiras da cervejaria Van Der Ale, na Vila Madalena – Gui Gomes/Folhapress

C.O.D. – CRAFT ON DRAFT
O pequeno bar, em frente à Faap, tem 12 torneiras de chopes rotativos. Em duas delas, oferece os próprios rótulos: os C.O.D. pilsen e IPA, produzidos para a casa pela Quinta do Malte, de Socorro (SP).
R. Alagoas, 900, Higienópolis, região central, tel. 3938-5977. 65 lugares. Ter. e qua.: 17h às 24h. Qui.: 17h à 1h. Sex. e sáb.: 17h às 2h. CC: V, M, AE, E, D. Valet a partir de R$ 14 (ter. a sex.). Chope artesanal – 300 ml: R$ 8,50. Saiba mais.

DELIRIUM CAFÉ 
O bar da prestigiada cervejaria belga oferece, desde 2014, cerca de 400 rótulos especiais de todo o mundo, incluindo os da própria marca, como a Delirium Tremens (belgian strong ale), além de 24 torneiras de chopes. Nas próximas semanas, a casa inaugura mais 16 torneiras.
R. Ferreira de Araújo, 589, Pinheiros, região oeste, tel. 2495-2225. 230 lugares. Ter. a sex.: 18h à 1h. Sáb.: 16h às 2h. Dom.: 12h às 20h. CC: V, M, AE, E, D. Valet a partir de R$ 25. Couvert artístico: R$ 8. Cerveja Delirium Tremens – 750 ml: R$ 78. Saiba mais. 

VAN DER ALE 
O bar, onde antes funcionava o Aé Sagarana, se tornou residência da cervejaria paulistana Van Der Ale em março. O ambiente foi reformado e conta com quase 30 torneiras de chopes, das quais três são engatadas com rótulos da marca, como a APA. A bebida vem dos fermentadores que ficam no segundo andar do bar –e podem ser vistos da rua.
R. Aspicuelta, 268, Vila Madalena, região oeste, tel. 3034-0853. 80 pessoas. Ter. a sex.: 17h à 1h. Sáb.: 14h à 1h. Dom.: 14h às 22h. CC: V, M, AE, E. Cerveja Pilsen – 330 ml: R$ 9. Saiba mais.

O que vem por aí

DOGMA
Na segunda quinzena de julho, a Vila Buarque, no centro de São Paulo, ganha mais um bar dedicado à própria cerveja. A cervejaria Dogma, de Várzea Paulista (a 54 km da capital), vai inaugurar ali o seu espaço, com 15 torneiras –14 dedicadas aos rótulos da marca e uma com café extraído a frio, do Wolff Café. Além de oferecer a própria cerveja, o espaço também terá uma fábrica com capacidade para produzir 3.500 litros mensais. “A ideia é fazer aqui cervejas especiais”, diz Bruno Brito, sócio da casa. Em vez de servir comida, a Dogma vai incentivar os clientes a pedir delivery.
R. Fortunato, 236, Vila Buarque, região central

Fonte

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