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O dia da Brassagem

Sou uma apreciadora de cervejas artesanais. Não era muito fã de cerveja até pouco tempo, sempre preferi vinhos e alguns tipos de destilados, até conhecer as cervejas lupuladas, principalmente as IPAs – minha paixão!!! O sabor marcante, os aromas deliciosos e as boas companhias que essas belezas me trouxeram me deixaram encantada. Mas isso vai ficar para um outro post…

Pois bem, tenho a felicidade de ter amigos que produzem cerveja em casa. E certo dia meus queridos amigos Luis, Miriam, Simone e Luiz, mestres cervejeiros da Zuraffa, me convidaram para participar da brassagem!! Adorei o convite, sempre morri de curiosidade em saber como era o processo de produção caseira. Gosto bastante de cozinhar, é como uma terapia para mim, e imaginava que fazer cerveja seria uma boa diversão também. Qual não foi a minha surpresa que fazer cerveja é como um experimento de laboratório! E como sou bióloga, daquelas que passa horas na bancada fazendo experimentos, foi uma grande alegria! Imagina só, fazer um experimento que tem como resultado cerveja, só alegria, não é mesmo??? Assim como na cozinha ou no laboratório, você tem que seguir a receita, que em linhas gerais consiste aquecer o malte escolhido a 64-68 graus, previamente moído, com a quantidade de água adequada para o tipo de malte e de cerveja que você pretende fazer, para que as enzimas do malte convertam o amido em açúcar. Depois disso, é feita a adição de lúpulo, que além de ser um conservante natural, será responsável pelo aroma e amargor da cerveja. Para a fermentação dos açúcares do malte é adicionada levedura, após um processo de resfriamento, processo que as vezes exige criatividade e de muitos braços pra ajudar com os potes de água fria. Depois disso, a mistura é transferida para os baldes de maturação, onde vão ficar por uns 10 dias em temperatura ambiente, e depois mais uns sete dias na geladeira. Por fim, é adicionado priming, que é um tipo de açúcar, que vai dar continuidade a fermentação, mas agora para ajudar na carbonatação da cerveja, que será engarrafada e ainda precisa mais uns dias de descanso, antes de ser gelada e consumida. Todos esses passos devem ser feitos com muito cuidado, para que não haja contaminação, afinal, essa mistura é um excelente meio de cultura de bactérias!!! Então dá-lhe álcool 70% e ácido peracético na galera que está ajudando!!!

Como o tempo de fervura do malte é relativamente longo, dá pra prosear muito durante o processo, além de apreciar as cervejas de brassagens anteriores (melhor parte!!!). Recomendo a todos um dia acompanhar o processo, é bem divertido!

Um dia, quando morar num lugar mais espaçoso, vou me aventurar na produção de cervejas também. Mas por hora só me cabe a degustação e produção de pão de malte, que contarei em breve como fazer!

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